OcupaÇÃo Territorial, MigraÇÕes E FamÍlia.a ProduÇÃo De Esferas De Poder Nos SertÕes De Curitiba E Nos Campos Gerais (1693-1818)

Período:

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Descrição:

Pretende-se investigar, na segunda metade do XVIII o impacto da dinâmica migratória de população do planalto curitibano em direção à recém formada freguesia de Santo Antonio da Lapa, no município de Curitiba da Capitania de São Paulo. Como ali já havia povoamento desde a abertura da Rota do Viamão também proveniente do planalto, interessa verificar, numa perspectiva sociológica, a interferência de redes sociais e familiares nessa mobilidade, bem como as características e as relações sociais na Lapa. Ao eleger essa localidade para observar considerei alguns pontos: era distante dos grandes centros, submetida à Câmara de Curitiba, mas ao contrário da vila, integrava o circuito tropeiro abrindo o campo de possibilidades de relacionamento; ali os pecuaristas, diferente dos demais nos Campos Gerais, moravam em suas terras o que, a princípio, situava um ponto da hierarquia social. E, ao final do XVIII somavam menos de 240 o total de seus fogos, conformando microcosmo instigante à recompor os mecanismos que tramam lugares nas redes sociais. Já que a institucionalização a atingiu diretamente apenas no governo de Dom José I freguesia em 1769 e vila em 1806 , julgo poder supor que a sociedade formada em torno do ‘Pouso da Lapa’ a partir de 1730, ao ser atingida pela capilaridade da administração régia, já havia estabelecido as estruturas de poder no âmbito local e acionado os relacionamentos próprios à ordem estamental e escravista, e sobretudo, ativado um traço recorrente na América Portuguesa, qual seja, a diferenciação excludente. Minha hipótese é que a propriedade da terra e de homens determinou os ocupantes do topo da hierarquia social criando as esferas de poder no povoado que tramava, em âmbito mais amplo, uma rede de relacionamentos homogâmicos com a elite regional. Porém, ali estariam presentes outros mecanismos de mobilidade social, produzindo escalas de diferenciação entre os integrantes dos demais segmentos sociais.

Coordenador(a):

Maria Luiza Andreazza

Financiador:

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico